Não lembro quando foi a última vez que passei tanto tempo sem escrever… A vida mudou tanto desde a última vez que estive por aqui que nem sei por onde começar esse post. 

Quem me acompanha no Instagram sabe que voltei para o Brasil. Muitas pessoas até hoje enviam mensagens questionando os motivos que me fizeram deixar as terras lusitanas e voltar para Natal.

Confesso que relutei e adiei muito esse momento (o de escrever sobre isso) porque sempre me parecia que eu tinha que dar satisfação, como se eu precisasse explicar minhas escolhas para “os outros”. Se hoje eu estou aqui escrevendo sobre isso é porque a maneira de compreender toda a minha situação mudou. Hoje não escrevo por isso (se o motivo fosse esse, eu não estaria escrevendo, aliás). Escrevo porque estou tranquila, bem e senti o desejo de compartilhar mais esse passo da minha vida com minhas leitoras/seguidoras/amigas. 

Não aconteceu nada absurdo ou drástico para que eu quisesse voltar para o Brasil. Tampouco foi por não gostar de Portugal, por um lugar ser melhor e/ou pior que o outro. Nada disso. Cascais é linda, incrível e viver em Portugal durante um ano foi uma das melhores experiências que vivi. Foram tantos aprendizados, tantos momentos lindos e desafiares que seria difícil enumera-los. 

O que aconteceu?!

O ano letivo europeu começa em setembro e termina em junho/julho. Quando junho de 2019 chegou, eu e Marcelo precisamos decidir entre ficar mais um ano ou voltar. Decidimos que ficaríamos mais um ano. Alugamos um apartamento mais próximo da universidade que eu estudava, organizamos todos os pormenores para iniciar mais um ciclo. 

Desde o começo, quando morar em outro país ainda era apenas uma ideia, um dos pontos que concordamos é que faríamos a experiência durante um ano e depois escolheríamos por algo mais definitivo (ou não). Quando o primeiro ano passou, percebemos que os ajustes na rotina precisavam ser feitos e minha mãe veio me visitar e me ajudar com a mudança. Ela chegou, conheceu o apartamento novo, tudo fluindo como o planejado… Até que, de repente, um aperto no coração veio e não se foi. Eu não havia me sentido assim até então (ou talvez estivesse ocupada demais para prestar atenção em mim. Ou talvez eu estivesse usando todas as ocupações como desculpa para não olhar para isso. Bem, esse papo eu deixo pra terapia). Minha mãe em breve iria embora de novo, meu pai há pouco havia passado dias na UTI por um problema no coração. Logo ele que nunca pega nem gripe! A tristeza veio como uma tsunami dentro de mim e eu não pensei duas vezes, comprei passagens e fui passar as férias de verão das crianças em “casa”. Voamos todos para Natal e ao chegar, chorei, chorei, chorei e chorei. Não entendi bem o que estava passando comigo, apenas deixei fluir…

Os dias foram passando, estar de volta foi incrivelmente mais prazeroso do que eu supunha. E, depois de muita reflexão, me veio a resposta: eu calculei e planejei tudo, o que não saía como planejado, eu me flexibilizava e fazia dar certo; mas eu deixei uma variável fora dessa equação e foi justamente ela que me fez, impulsivamente, comprar passagens e atravessar o oceano de volta. O amor e a relação com a família, com os amigos, com minhas raízes. Foi em Portugal que eu descobri que eu posso voar alto, viver grandes desafios, mas preciso voltar para perto dos meus. Eles são o maior tesouro da minha jornada: as pessoas (água de coco, carne de sol e banho de mar com água morninha também).

Durante o ano que estive fora, meus filhos cresceram, amadureceram, viveram tantas experiências… foi maravilhoso? Sim. Eu faria tudo outra vez? Claro! Talvez eu não tivesse a clareza que tenho agora se eu nao tivesse passado por tudo que passei… O que sei é que hoje as crianças brincam com os avós quase todos os dias, às vezes mais de uma vez por dia. Basta alguém chamar no grupo do whatsapp e rapidamente organizamos um encontro cheio de comidas deliciosas, risadas e dos melhores abraços. Não sei como amanhã será. O que sei é que hoje voltei para casa e não tenho planos (ainda) de ir para outro lugar. 

Que a mudança sempre nos leve para onde o nosso coração pede.