“Os homens nos cargos mais altos muitas vezes nem se dão conta dos benefícios de que desfrutam simplesmente por serem homens, o que pode impedi-los de enxergar as desvantagens associadas ao fato de se ser mulher. As mulheres em posições mais abaixo também acreditam que os homens acima têm o direito de estar lá em cima, de forma que tentam jogar segundo as regras e dão ainda mais duro para avançar na carreira, em vez de levantar questões ou expressar seus receios quanto à possibilidade de uma discriminação. Em decorrência disso, todos se tornam cúmplices da perpetuação de um sistema injusto.” (Sheryl Sandberg, no livro “Faça Acontecer”)

Uma das coisas que gosto muito de fazer quando tenho manhãs tranquilas e descompromissadas é revisitar livros que li. Pego um deles sem escolher demais, estendo a mão nas prateleiras, puxo um, abro aleatoriamente e leio apenas aquelas duas páginas. Todas as vezes eu me encanto, todas as vezes eu leio como se fosse a primeira vez e todas as vezes aprendo algo novo. Hoje o “escolhido” foi esse da citação acima. Justamente essa parte que citei estava grifada com força, cheia de anotações nas laterais (sim, eu rabisco todos os meus livros), como se aquelas palavras fossem importantes demais para mim. E de fato são.

Não faz muito tempo, me descobri feminista e, desde então, a vida foi adquirindo uma perspectiva completamente diferente da que eu estava habituada. Coisas simples do cotidiano passaram a ter um outro significado. Foi como se eu finalmente conseguisse enxergar as coisas como elas realmente são. E, a partir daí, comecei minha jornada de leituras acerca desse universo que sempre esteve dentro de mim, mas eu ainda não sabia exatamente o que era. Caminhei pelas palavras de Simone de Beauvoir, Naomi Wolf, Clarissa Pinkola Estés, Angela Davis e tantas outras… A lista é grande, mas ainda pequena perto do tanto que preciso aprender.

Existe um tabu gigantesco em cima das questões feministas e do que significa ser feminista, só não é maior do que a opressão silenciosa (ou não) que nós mulheres sofremos desde o exato momento que descobrem que carregamos cromossomos XX ao invés de XY.

Antes eu tinha um receio imenso de me declarar feminista, de não rir de piadinhas machistas (aquelas que objetificam e/ou reduzem nós mulheres a questões sexuais e/ou inabilidade de fazer isso ou aquilo, basicamente) e de falar abertamente sobre isso. Mas a internet é maravilhosa demais e foi através dela (e das muitas leituras, séries, filmes, conversas, etc, etc…) que encontrei e me conectei com mulheres incríveis, as quais me ensinaram – e ensinam muito – e confirmaram que estamos no caminho certo.

O que eu desejo com esse posicionamento? Que nós mulheres tenhamos, num futuro não tão distante, as mesmas oportunidades que os homens. Não apenas profissionalmente, até porque acredito que essa questão será uma das muitas consequências relacionadas à equidade pela qual lutamos diariamente para conquistar. Pois é, lutamos para ter o que deveria ser nosso por direito.

Quantas mães você conhece que criam seus filhos sem a presença do pai? E quantos pais você conhece vivendo essa mesma situação? Quantos homens deixaram de lado ou adiaram seus planos profissionais por serem pais? Quantos deles perdem empregos e oportunidades por terem filhos? Essas perguntas são apenas a pontinha da ponta do iceberg.

Eu poderia escrever 100 posts e ainda assim seria pouco para o tanto que desejo falar, para o tanto que meu coração grita, para que nossas vozes sejam ouvidas, para que a sororidade de fato aconteça, para que o feminismo hoje tão difundido abrace todas as mulheres, TODAS! É um exercício diário permanecer feminista, apurar nosso olhar, vigiar nossos pensamentos e julgamentos com raízes tão profundas na cultura machista secular em que estamos inseridas, a qual faz parte do inconsciente coletivo e que, claro, não mudará num estalar de dedos. Mas a mudança acontece, em pequenos passos, com uma mulher de cada vez… E hoje eu sou essa mais uma que luta para que essa mudança seja inevitável.

Para finalizar esse post, deixo aqui uma pergunta:

Seja você feminista ou não, isso tudo é sobre mim e sobre você também. Se não lutarmos por nós agora, quando o faremos?