No Brasil se comemora o dia das mães no segundo domingo de maio, aqui em Portugal a comemoração é no primeiro domingo, ou seja, amanhã. A outra diferença é que aqui chamam de dia da mãe (no singular). Tirando essas pequenas diferenças, todo o resto é bem parecido. Recebi presentes feitos pelas crianças na escola, a tarefa de casa do fim de semana do Benjamim é preparar um pequeno almoço (café da manhã) especial para mim e eu estou no aguardo do que está por vir! Ontem ele chegou tão empolgado da aula que correu para a cozinha e foi ajudar o pai a preparar o jantar afim de treinar para o grande dia.

Eu gostaria de falar tanta coisa sobre esse lance da comemoração do dia das mães e a maneira como o mundo digere e perpetua tradições tão cheias de superficialidade e consumismo, mas prefiro focar no lado bom. Porque em absolutamente tudo na vida, há o lado bom, algo positivo pode ser retirado, nem que seja um aprendizado no meio da dor, mas alguma coisa boa há. Sempre.

Estou vivendo em Portugal há quase oito meses. Nesse período a minha vida mudou 180 graus e uma das melhores (e mais desafiadoras/cansativas) tem sido estar mais presente na rotina das crianças. Aqui a rede de apoio é zero, tudo sou eu e Marcelo, mas, mesmo o pai estando ali tanto quanto eu para tudo, eu sinto que o peso que carrego é consideravelmente maior. E eu bem sei o motivo: a famigerada culpa materna (escrevi sobre ela aqui). Hoje o peso, apesar de ainda ser enorme, é bem menor do que no passado. Uns dias ele aumenta, em outros diminui e a vida vai me ensinando a curar, ressignificar e seguir o mais leve que posso, um dia de cada vez.

Este é o primeiro dia das mães que passo longe das comemorações familiares cheias de tios, tias, primos, irmãos e, claro, minha mãe (ela estará comigo no dia das mães brasileiro, então tudo certo). Apesar de estar a um oceano de distância, de não ter programado nada especial e grandioso para amanhã, eu estou muito bem, muito tranquila e serena (cansada e estressada também, claro, mas consigo abstrair de vez em quando, principalmente em momentos como agora que enquanto escrevo, as crianças brincam – sem brigas – bem na minha frente).

Mãe rala muito o ano inteiro, a vida inteira, sofre pelo cansaço e sofre ainda mais pela bendita culpa materna que carrega no peito… E não para por aí! Sofre pela sociedade, pela solidão (sim, a maternidade pode ser um caminho extremamente solitário e arriscado para a saúde mental de uma mulher). As questões são tantas, tantas! Mas como eu disse no começo desse post, quero focar no lado bom! Que neste dia das mães que está chegando, dê presente sim, carinho também, claro, mas se puder ir um pouquinho além, já será um grande passo. Além como?? Nos outros dias do ano, como você se relaciona com as mães ao seu redor? Qual o seu papel? Refletir e talvez mudar um pouco, este é o grande passo que podemos dar. 

Comemorarei o “meu dia” amanhã exatamente do jeito que eu gosto, com os passarinhos grudados em mim, aproveitando um ensolarado e feliz domingo. Estar juntos, brincando, conversando, olhando no olho, vibrando amor… presente melhor não há.

Beijos carinhosos especialmente para as mães. Que tenhamos a força e o equilíbrio necessários para viver em paz com nossas escolhas e que o mundo seja menos cruel e nos aceite como somos, imperfeitas, com desejos e sonhos que transcendem a maternidade. Feliz vida digna para nós!

2 Comentários

  1. Muito lindo seu texto, ainda não sou mãe, mas sou filha e sinto em suas palavras a dificuldade e a grandeza de ser mãe… Em dezembro vou casar e irei estar a um passo bem proximo desse universo que é ser mãe, que sim é um dos meus sonhos. Te admiro muito como mulher, amiga e uma grande mãe, saudades de você, seja muito feliz e um lindo e abençoado dia das mães Tereza 🤗❤

    • Que saudade de você!! Suas palavras aqueceram tanto meu coração… Mesmo distante fisicamente, sinta minha energia como se fosse um abraço bem apertado! Obrigada!!