Vez ou outra alguém me pergunta se eu sinto saudade de estar grávida, da barriga, da sensação… Pode parecer insensível da minha parte, mas a resposta é NÃO.

Refleti um pouco mais sobre esse sentimento e percebi que eu não só não sinto saudade de estar grávida, como não sinto saudade de nenhuma outra fase da vida das crianças. Que fique claro desde já que tanto na gravidez de Benjamim, quanto na de Guilhermina e Joaquim, tudo correu super bem, eu amei estar grávida, curti cada segundo, até mais na segunda gravidez do que na primeira porque apesar de ter sido gemelar, eu me senti mais autoconfiante, mais poderosa (gestar já é fantástico, dois ao mesmo tempo então…), mas esse assunto a gente elabora melhor depois.

Refleti mais ainda, mergulhei mais no meu umbigo (esse lance do autoconhecimento, sabe?) e percebi que esse padrão de “não sentir saudade” vai muito além da maternidade, eu apenas não tinha reparado nisso, até agora. Pois bem, eu nunca fui de ficar remoendo as coisas do passado, sentindo falta disso ou daquilo, dessa ou daquela pessoa. Escrevendo esse post, até me veio na cabeça a lembrança de que me interpretaram como insensível e fria em alguns momentos ao longo da vida. Será que fui? Será que sou? Desde muito jovem me percebi como uma pessoa muito prática e muito “vivedora do presente”. Eu já praticava viver o aqui e agora sem nem saber de técnica nenhuma, sem ter lido livros, muito antes da internet e das redes sociais. Que louco perceber isso exatamente enquanto escrevo (sim, a ideia do post era essa, mas não exatamente essa. Mas eu sou assim, prática e intuitiva. A intuição vai sintonizando, fluindo e os dedinhos vão mexendo no teclado…).

Se você se perguntou se eu nunca sinto saudade, a resposta é não. Claro que eu sinto saudade! Sinto saudade da minha família (principalmente agora que moro longe), de algumas pessoas que amo MUITO e já partiram… Sinto saudade nessas circunstâncias, basicamente.

Continuando a reflexão, me veio a resposta da razão de eu não sentir saudade da barriguinha de grávida, de quando as crianças eram bebês fofinhos e gostosos de apertar: eu vivi cada fase intensamente! Vivi o presente, mergulhei, aproveitei o máximo que pude. Fiz isso durante minha vida inteira (ainda faço) e quando a maternidade chegou, não foi diferente.

Não estou dizendo que o que eu faço é certo ou errado, é apenas o meu jeito de viver. E, até aqui, tem dado muito certo. ;)

O que acontece, muita vezes, é que tudo o que não é relativo ao presente, parece ser melhor (tipo aquela história de que a grama do vizinho é mais verde que a nossa). É como foto em feed de Instagram, cheia de filtros e edições, captando apenas aquilo que queremos ver/mostrar. O passado é romantizado e o futuro também, tal qual final de novela. Mas a vida é o que acontece durante, é no agora, é enquanto você está lendo esse post. No fim, a gente morre. Pois é. Às vezes o óbvio precisa ser dito.

E é claro que não há nada de errado em sentir saudade. Se a saudade chega, é porque vivemos bons momentos e isso é maravilhoso! O que não dá é passar a vida toda sentindo saudade, remoendo passado… Que seu coração esteja aberto para mais momentos e mais pessoas dignas de uma saudadinha gostosa que aquece o coração.

Na dúvida, respira fundo, ocupa a mente e a vida com o que te faz bem, faz isso agora e pronto, já é mais do que suficiente para viver muito bem.

Eu te garanto. ;)