Seis meses que minha vida deu um giro de 180 graus, que eu mudei de país, planos, tudo! A mudança aconteceu primeiro internamente porque fazia um bom tempo que eu desejava algo assim, mas não sabia exatamente o quê e nem como [conto sobre a mudança para Portugal nesse post].

O tempo psicológico passa de uma maneira bem diferente e, para mim, parece que vivo aqui há anos. A sensação de pertencimento e de estar exatamente onde eu deveria se confirmam diariamente, mas não se engane, pois a vida não é mar de rosas. Durante esses seis meses foram muitos aprendizados, problemas, dores… Igualzinho a vida de todo mundo! Passei por situações bem delicadas e, quando estamos longe, percebemos (ainda mais) o quanto nossa família e amigos fazem falta (porém essa “falta” foi muito necessária para meu amadurecimento. Explico mais na frente!). Um dos maiores desafios foi e tem sido cuidar das crianças sem nossa rede de apoio. É cansativo tanto físico quanto emocionalmente administrar uma nova vida sem a ajuda de quem nos ajudou a vida toda, mas é possível. E claro que eu sei do enorme privilégio que é ter escolhido o meu caminho, que é ter um parceiro que divide tudo comigo e transforma tudo numa experiência com muito mais significado e, sobretudo, mais amor (por mim). Eu tenho todos os motivos para desistir dos meus projetos pessoais, já pensei nisso algumas vezes, inclusive, mas sigo firme com meus estudos, planos e sonhos. Marcelo me apoia e isso faz toda diferença para mim e para eu seguir minha carreira.

Cuidar da casa, dos filhos, cozinhar, trabalhar, estudar, correr, parar de vez em quando para respirar… Ou seja, fazer o que nós mulheres fazemos desde sempre. Mas hoje em dia, mesmo fazendo as mesmas coisas, eu as faço de uma jeito diferente, porque quando a perspectiva muda, tudo muda, mesmo tudo sendo mais do mesmo. Deu para entender? Hoje o farelo no chão não me impede de parar um pouco para ler um livro ou assistir uma série; se eu tenho uma horinha de folga, posso ficar sem fazer absolutamente nada, de pernas para o ar, também posso sair de casa para tomar um café, como também posso dar uma corridinha ou até mesmo fazer uma faxina (why not?)… O que eu quero dizer com tudo isso é o seguinte: sem a minha rede de apoio por perto, tive que aprender a me virar sozinha, tive que aprender a fazer o que milhões de mulheres já fazem (e fazem, na maioria esmagadora das vezes porque não têm opção). Eu escolhi esse caminho por razões pessoais, que fique claro que não acredito que existe isso ou aquilo que seja certo ou errado, para mim existem escolhas e suas inevitáveis consequências.

É cansativo sim, mas tem sido um caminho lindo! Viver dá trabalho mesmo, a maternidade então… É um eterno enlouquecer e morrer de amor a cada cinco minutos.

Nesses seis meses morando do outro lado do oceano eu descobri pedaços de mim que eu nem sabia que estavam ali. Enxergar a beleza dos jardins da praça da esquina de casa, apreciar o fim do dia pedalando e sentindo a brisa do mar, ser muitas e ser eu por inteira, sem expectativas demais e sem julgamentos. E sim, eu precisei mudar de continente para me encontrar. Mas a gente pode se encontrar em qualquer lugar, até mesmo se olhando no espelho, se encarando e sorrindo para esse mulherão da porr* que somos. Eu precisei ficar longe de tudo que acreditavam que eu era para ser quem realmente sou. E isso para mim foi a maior libertação de todas!

A trajetória completou seis meses, mas já valeu por uma vida inteira.