Três meses e alguns dias vivendo em Portugal com sabor de vida inteira e com muita história para contar!

Quando mudamos para outro país, é como um renascimento. Tudo novo (de novo). As mínimas coisas importam, os mínimos detalhes, antes passados facilmente despercebidos na rotina de anos, agora parecem verdadeiros obstáculos dignos de quem escala o Everest. E aqui estou, escalando um (ou mais de um) Everest por dia. Não tem sido fácil, confesso. O terceiro mês foi o que eu senti, pela primeira vez, uma saudade imensa dos meus amigos e, sobretudo, da minha família. Acho que o clima de fim de ano contribui demais para essa saudade toda. Natal e Ano Novo sempre foram sagrados para mim e eu sempre passei essas datas pertinho dos meus amigos e familiares. Este será o primeiro Natal longe de todos e só de escrever isso, já escorre uma lágrima no canto do olho… Não bastasse o clima natalino por toda Cascais (aqui eles enfeitam tudo, tem muita programação bacana, a cidade se enche de luz e cor e essa tem sido uma das melhores partes de estar vivendo o Natal por aqui), sábado passado meu pai foi para o hospital e, resumindo, ele teve que fazer duas cirurgias no coração (colocou primeiro um marca-passo provisório e três dias depois fez outra intervenção e colocou o definitivo), nesse tempo todo ele ficou na UTI, não pude falar com painho – sou nordestina e chamo assim com orgulho e muito amor – porque não podia entrar com celular e viver tudo isso longe foi absolutamente a coisa mais difícil de estar a um oceano de distância. Agora ele está muito bem, já teve alta, está em casa e meu coração passou da extrema agonia para a alegria saltitante de vê-lo sorrindo e contando suas piadas.

Praça 5 de Outubro, Cascais, Portugal – Natal 2018

Como eu disse no começo do post, não tem sido fácil. As burocracias às vezes me tiram do sério, mas respiro fundo (Marcelo é advogado, entende desses paranauês todos e sempre me acalma). Tudo está se encaminhando, tudo no seu ritmo, no seu tempo e eu estou aprendendo a viver respeitando mais o ritmo que a vida segue aqui… E tem sido maravilhoso respirar mais, correr menos… Tem sido um período de muita resiliência, muita paciência e muita VIDA! O aqui e agora, o presente, nunca foram tão bem desfrutados! A delícia de tomar um café da manhã curtindo o sol de outono logo depois que as crianças saem para a escola, brincar com elas na praça da esquina da nossa casa… poder me redescobrir no meio de todo esse processo tem sido tão valioso que nem consigo expressar tudo o que sinto em palavras. Só sei que tem valido a pena. Mesmo sentindo saudade, mesmo escalando muitos Everest’s, mesmo cansando e doendo… A vista compensa! A sensação de que estou exatamente onde deveria estar faz tudo ter um sentido único.

E o maior aprendizado até aqui foi: que a zona de conforto não me paralise e não me cegue. O mundo é lindo, enorme e eu estou apenas começando! Sou capaz de tudo, um passo de cada vez e a gente chega onde quiser.