6:50, o alarme toca, mas eu já estou acordada há uns 15 minutos. Só me levanto depois que paro o despertador.

Marcelo já saiu, viajou cedo, foi para Porto, viagem de negócios.

Vou na cozinha, preparo o pequeno almoço (como chamam o café da manhã aqui) das crianças. Eles ainda dormem.

7:15, começo a arrumar Nina, ainda dormindo agarrada na sua raposa de pelúcia. Termino e sigo para Joaquim, que chora perguntando pelo pai. Nessa altura Benjamim já levantou e já está pronto tomando seu iogurte na sala. Joaquim segue chorando, mas agora eu desconheço a razão. Sigo na calma tentando deixar tudo organizado antes das 8:00.

7:44, Guilhermina e Joaquim estão na sala com Benjamim. Todos alimentados e prontos para irem para escola.

8:00, desço com eles. Tia Ana (como eles chamam a super querida que os leva para o colégio) já os aguarda no portão. Eles embarcam, dou muitos beijos, nos despedimos, eles seguem para a aula e eu subo para tomar meu café.

O dia nem começou e já me sinto exausta. A rotina tem sido puxada, mas hoje cansei muito mais. Peguei o termômetro e tive um susto daqueles! Estava passando dos 40 graus de febre. Respirei fundo… Não tem jeito, meu destino é a cama. Pensei em ligar para Marcelo (mas ele estava viajando e não podia fazer muita coisa), pensei em ligar para minha mãe (tem um oceano entre a gente e eu só ia deixá-la preocupada). Mantive a calma e decidi tomar um banho e um antitérmico antes de qualquer outra decisão.

A temperatura cedeu. Mas o cansaço não. Dor no corpo. Cabeça a mil. Tanta coisa para fazer! Preciso cuidar da casa, organizar o trabalho, estudar para prova, preparar comida para as crianças comerem quando chegarem. CALMA, TEREZA LAISE! CALMA! Para tudo e para AGORA! Gritei ~mentalmente~ comigo. Cuida do seu corpo, escuta o que ele está tentando te dizer. A crise de sinusite chegou chegando e você precisa se cuidar.

Eu tenho uma dificuldade enorme de pedir ajuda. De aceitar que não consigo cuidar de tudo. Sempre fui perfeccionista, hoje sou bem menos, mas continuo sendo bastante exigente, principalmente quando se trata de mim. Pros outros eu sou uma flor, super flexível e compreensiva. Por que eu não sou assim comigo??? Foi a primeira vez na minha vida inteira que me questionei sobre esse comportamento. Até então, juro, tinha passado despercebido. Pois é, quanto mais me conheço, mais percebo que tenho uma longa caminhada pela estrada do autoconhecimento.

E de nada adianta perceber algo e não fazer nada a respeito para mudar. Ok. Muitas vezes a gente não sabe como mudar, até porque se for pra mudar, óbvio que tem que ser para melhor. Por isso eu vou bater na tecla que eu sempre bato, procure ajuda profissional. Isso mesmo. Os psicólogos existem (também) para isso.

Mas voltando para o meu dia… lá estava eu com a segunda maior crise de sinusite que já tive até hoje (o primeiro lugar ficou para a crise que me fez ficar internada, em observação. Sinusite é coisa muito séria e eu aprendi isso da pior maneira) e pensando em como eu tinha ido parar ali, naquele momento. Foi quando veio a constatação do que eu disse aí em cima e foi quando um tonelada de fichas começaram a cair. Eu chorei, chorei (lágrimas de alívio, eu acho, ainda não sei explicar)… e adormeci. Acordei ainda com muita dor (física), mas com a alma leve.

Tudo bem não dar conta de tudo. Tudo bem precisar de ajuda. Tudo bem querer ajuda. Tudo bem pedir ajuda. TUDO BEM. Esqueçam o mito da Mulher Maravilha. Nós somos muito fod*, eu sei. Mas não precisamos ser “super” o tempo todo. A força também está no reconhecimento e na aceitação das nossas fragilidades.

18:27, as crianças chegaram. Preparei o jantar, enchi a banheira, eles tomaram banho. Nina e Joaquim foram brincar e eu fui fazer as tarefas com Benjamim e estudar para a prova de inglês dele que será amanhã.

20:00, a febre voltou. As crianças foram assistir desenho, eu sentei para tentar estudar um pouco e organizar as tarefas do “dia perdido”, dividindo-as nos demais dias da semana. 5 minutos depois… Nina vem até mim chorando. É a 17a briga do dia entre as crianças. Paro o que estava fazendo e vou brincar com eles. Foi a melhor decisão do dia (depois do banho e do antitérmico).

22:59, Marcelo chega. Crianças ainda acordadas esperando o pai. Muito aconteceu aqui. Conversamos, conversamos… Ficamos com eles, brincamos, houveram mais meia dúzia de brigas e birras e minutos depois da meia noite, família inteira na cama.

3:00, todos dormindo, menos eu. Sigo pensando no cansaço que senti no começo do dia, em como minha vida mudou nos últimos meses (estamos morando em Portugal há pouco mais de dois meses e tem post falando sobre isso AQUI), em como eu quis essa mudança, em como planejei cada passo, nas horas e horas que investi na realização disso tudo e em como consegui. Não fiz tudo sozinha, claro. Mas fiz muito, fiz demais. Sobrecarreguei meu corpo e minha mente. A conta chegou. Estou pagando. Mas a melhor parte é que no meio de todo esse processo, consigo me conhecer um pouco mais, me aceitar um pouco mais e mudar para viver melhor.

Daqui a pouco tudo recomeça. Mas quando o cansaço der sinal, já sei o que fazer. Vou pedir ajuda.

4 Comentários

  1. Ah velha amiga..nunca tinha entrado aqui, mas sempre acompanho seus posts pq são demais. Mas, o título me chamou atenção e vim correndo dar uma mão, de longe, muito longe, mas sei oq é isso. Tive meus dois longe de família, marido trabalhando muito e viajando também. Sei desse cansaço, sei dessa loucura. Vivi duas vezes e quase saí louca correndo. Mas vale a pena. Eles valem a pena. Nossa vida vale a pena. Chore, grite , se descabele, peça ajuda. Chega a um ponto de se tornar insuportável, mas aí esse ponto passa mil vezes e nem morremos, pq oq nos move é a felicidade, a certeza de que nossos maiores tesouros são os filhos e tudo vale a pena por eles e pela pessoa incrível que nos tornamos ao nascer como mães na hora do parto e nas horas difíceis da vida deles. Força na peruca, de vez em quando coma comida congelada, fique sem limpar e arrumar casa um dia, deixa roupa acumular, não fique bela. Depois o fôlego bem e a casa fica perfeita, roupas limpas e cheirosas, comida fresquinha e cabelos esbeltos. Parece mágica, Mas foi só o tempo suficiente da gente respirar. Beijo grande!!! JU Buguja!

    • Ju, que coisa mais linda ter você aqui! É a primeira vez na minha vida inteira que estou longe dos meus pais, da minha família, de toda a minha rede de apoio. Eu sabia que não seria fácil, mas esse caminho foi uma escolha minha. E por ser uma escolha minha, eu coloquei na cabeça que teria que dar conta. Passou dois meses e eu já percebi que o buraco é bem mais embaixo. Relutei tanto para pedir ajuda que adoeci. Aí foi quando percebi que não tinha outra maneira. Agora estou muito melhor! Descobri que para dar conta, não preciso fazer tudo sozinha. Obrigada pelas palavras e, apesar da distância geográfica, dá pra sentir seu carinho bem perto, deu até um quentinho do meu coração. Beijooo!!

  2. Deus continue abençoando grandemente sua linda família e que sua saúde seja restaurada logo.

    • Amém! Muito obrigada. Hoje já estou me sentindo muito melhor.

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