Há pouco mais de uma semana voltei de uma viagem de duas semanas. Nuca havia passado tanto tempo longe dos meus filhos… Antes de ir eu tentei não pensar muito nisso porque eu sabia que existia a enorme possibilidade de desistir; durante a viagem me mantive o mais ocupada possível para não chorar de saudade (funcionou quase a viagem inteira). Voltei para casa e demorou uma semana para eu conseguir matar a saudade e voltar à rotina. Sim, passei sete dias agarrando, dormindo junto, beijando e olhando para Nina, Joaquim e Ben ininterruptamente.

Pronto, segunda-feira, dia oficial dos recomeços. Dia que eu pensei que tudo voltaria ao normal, dia que eu pensava que ia sentir tudo, menos a volta da culpa materna. E ela veio como uma tsunami!

Abro a agenda da escola de Benjamim para dar uma olhada nas atividades e recados e dou de cara com uma mensagem de uma professora dele me falando do quanto ele estava disperso, do quanto ele estava diferente e do quanto ela estava preocupada com a mudança repentina dele. Tal mudança data exatamente do período que me ausentei. Deixei uma professora particular (maravilhosa) para acompanhar suas atividades escolares diariamente, minha mãe se mudou para nossa casa enquanto eu estava fora para dar todo o apoio para as crianças, meu pai e meus irmãos também auxiliaram nos cuidados e, mesmo assim, recebi essa mensagem e me senti a pessoa mais culpada do mundo. Eu falava várias vezes por dia com ele, me certificava de que tudo estava indo bem, mas a culpa materna grita EU SOU TODA SUA, A CULPA É SUA! 

Respirei, respirei, respirei… Senti vontade de chorar e chorei… Depois fui buscar a razão de eu me sentir assim, entendi que era ela, a que eu pensava que já havia sido “domesticada”, a feroz culpa materna. E agora estou aqui escrevendo, com ela ainda rasgando meu peito. Eu deveria não ter viajado? Deveria ter levado Ben comigo? (Nina e Joaquim ainda são pequenos e não compreendem o tempo, eles não sentem minha falta como o irmão mais velho) Racionalizando a questão, consegui encontrar as respostas: eu deveria ter viajado sim e sem meus filhos. Faria tudo de novo sim. A mudança de Benjamim não foi minha culpa, a razão sabe disso, mas a culpa materna pesa como um elefante sentado em cima do meu coração. E tudo bem, o sentimento está aqui, mas eu tenho consciência de que fiz o melhor que podia na situação. O que vou fazer agora? Conversar mais e mais (como já faço) com meu Ben. Ele sentiu minha falta, mais do que qualquer um e isso o afetou muito mais do que a gente esperava. Ele está crescendo, está compreendendo mais como a vida acontece e que de vez em quando eu viajo.

Vou parar de viajar? Parar meu trabalho? Não e não. A gente vai acertando nossos ponteiros, colocando a casa em ordem, os sentimentos e as expectativas também. Quando dá, eu fico. Quando estou em casa, sou presente, vivemos tudo juntos e acredito que é por isso que ele sente tanta falta. Mas meu filho é inteligente demais, sensível, empático e sabe que eu preciso do meu espaço, do meu trabalho e que isso não diminui e nem coloca nossa relação em segundo plano. Porque nós conversamos sobre tudo.

Foi a primeira vez que fiquei tanto tempo fora. As viagens sempre duram uma semana e essa durou o dobro. Estamos todos vivos e bem, o elefante continua sentado no meu peito, está difícil puxar o ar, mas a vida segue…

Enquanto a culpa materna não vai embora, convivo com ela, aprendo com ela. Mas ela não manda em mim, ela não me paralisa (não mais). Vamos vivendo um dia de cada vez, quem sabe um dia ela vai embora, quem sabe um dia ela fica leve como uma pena e voa… voa e não volta mais. Quem sabe?