Quantas vezes fui questionada, julgada? Quantas vezes me olharam torto, fizeram cara feia? Quantas vezes me senti menos, me senti pequena, humilhada e triste muito triste? Muitas. Tantas que perdi as contas. E porquê? Para falar a verdade eu nem sei bem a razão. Mentira, eu sei sim!

Você já sacou do que eu estou falando? Estou falando de viver, fazer escolhas, seguir meu coração, ir em busca do que eu acredito que seja o melhor para mim. Então agora você deve estar pensando algo do tipo: por que você começou fazendo aquelas perguntas, Tereza? Porque eu sou mulher. Casei, tive filhos e, ao invés de viver a vida de um comercial de margarina, ao invés de ser “bela, recatada e do lar”, eu escolhi trabalhar, estudar, ser mais do que mãe e esposa. E eu fui e sou julgada por isso. E sabe o que deixa tudo isso ainda mais indigesto? Meu marido (o qual amo muitíssimo, me dá total apoio em tudo, divide todas as tarefas comigo porque concorda com cada palavra desse post. E antes que você pense “ah, que sorte a sua, Tereza!” Não é sorte, é saber se relacionar, é crescer e aprender juntos e, principalmente, cair fora se uma relação não for assim, mas isso é tema para outro post) continuou a carreira profissional dele e nunca nem sequer ouviu um único “aí” por causa disso. Seria cômico se não fosse trágico!

Essa é uma pequena parte da minha história, apenas um recorte (um dos “menos ruim” porque estou pegando leve) e poderia ser de milhares de outras mulheres. Muda o nome, muda o lugar, mas a situação permanece a mesma. Não estou dizendo que mulheres que têm filhos e/ou casam devem seguir o mesmo caminho que o meu, não é isso! Estou aqui para questionar sobre o nosso direito de escolher e viver em paz com nossas escolhas. Não existe certo e errado, existe a minha vida, existe a sua vida, existe os meus desejos e existe os seus. E, independentemente da escolha que eu ou você faça, a gente vai ser julgada, vão olhar torto para nós. SEMPRE! Pouco importa o caminho que a gente siga porque nascemos mulheres, ou seja, sempre vai ter gente querendo interferir e julgar as nossas vidas. É assim há muuuuito tempo, mas o contexto está mudando! A cada dia que passa, a gente se fortalece, se esclarece e se une. Unidas somos mais fortes, unidas o amor ecoa, vibra alto e alcança mais e mais mulheres mundo afora. E é por esse amor que escrevo agora, é por essa união que cada dedo meu tecla mais rápido que as batidas do meu coração. Isso se chama SORORIDADE.

Temos um longo caminho pela frente, mas como toda caminhada começa com o primeiro passo, que caminhemos, um passo de cada vez, na certeza de que não estamos sozinhas, de que nossa voz pode fazer e já faz sim muita diferença no mundo.

Mulheres, manas, amigas, irmãs, desejo força, união e muito amor entre nós. Que o peso das nossas escolhas seja substituído pela leveza da liberdade de ser quem quisermos.

E, a partir de hoje, quando alguém duvidar ou questionar suas escolhas, seus desejos, sua vida, respira fundo e segue em frente! De cabeça erguida, sentindo-se forte e consciente de que estamos juntas, eu você e todas as milhares de mulheres que passam pelo mesmo que nós TODOS OS DIAS. Não cale sua voz interior, não cale seus sonhos, não cale sua boca. Viva, seja feliz, seja você! E lembre que dia da mulher é todo dia e a vida é sua e de mais ninguém.

Escrevi para as mulheres. Mas também para os homens que compreendem e tentam exercitar sua empatia conosco. Porque, né? Nem com toda a empatia, sensibilidade e esforço do mundo um homem saberá o que é ser mulher. Infelizmente é assim, nossa cultura fez a sociedade ser como é. Mas nem tudo está perdido! Apesar do machismo enraizado no nosso inconsciente e nas mínimas coisas que ainda passam (quase) despercebidas no cotidiano, sobrevivemos. Tanto que estou aqui, escrevendo o 0,0000000000001% (ou menos) do que precisa ser dito. E vamos dizer mais, combinado? Eu vou, isso eu garanto. E em 2018 e nos anos vindouros vocês lerão bem mais sobre nossa força arrebatadora por aqui. Aguardem e confiem.

Beijo da mana!