Quando eu era pequena, não lembro bem quantos anos tinha, recordo da minha mãe na cozinha fazendo delícia de abacaxi. Não era sempre que ela ia para a cozinha, mas quando ela ia… Nossa, era o paraíso em forma de comida. Eu nem gostava de abacaxi, só comia quando ela fazia essa sobremesa porque nem ficava com gosto de abacaxi de tão bom que era. Gostava de lamber as colheres e raspar o fundo das panelas quando ela cozinhava. Eu olhava para ela com admiração, parecia até mágica o que ela fazia no fogão. Achava a minha mãe a bruxa boa mais poderosa de todas. Ela sempre cuidava de mim e de todo mundo, sabia trazer calma e paz pro meu coraçãozinho nas noites que eu acordava com medo e ia correndo para o seu quarto pedir colo. O melhor colo, aliás. Colo e carinho, suas armas secretas para curar toda a dor do mundo.

Hoje revivo essas lembranças e acho engraçado como pouca coisa mudou… Minha mãe continua sendo tudo isso e muito mais. A grande diferença é que agora eu sei que ela não possui super poderes, ela tem algo muito melhor, AMOR. E é esse amor que me sustenta, é esse amor que eu aprendi a sentir, é essa maternidade que aprendi e hoje vivo intensamente com meus filhos. Ser mãe não é sobre acertar sempre, não é sobre fazer tudo perfeitamente, não é sobre saber as melhores técnicas, comprar os melhores brinquedos… Ser mãe é sobre amar, se entregar, errar e continuar tentando, sendo uma pessoa melhor a cada experiência, é passar a noite acordada com o filho no colo sem saber o que fazer para a febre passar quando já se tentou de tudo. Mas acredite, mãe, você já está fazendo o mais importante. Porque é desse amor que nós filhos precisamos. Se hoje sou uma pessoa feliz, não tenha dúvidas, minha mãe, que muito se deve a este amor que você me dedicou e me dedica.

E o que eu mais desejo hoje, sendo mãe, é que meus filhos sintam e vivam esse amor comigo. Por isso mães, sigam seus corações, sigam aquela voz que fala dentro de vocês. Não existe manual de instruções para ser uma boa mãe, o que existe são seres humanos dispostos a amar e lutar por alguém que não sejam eles mesmos. A maternidade transcende, transforma, evolui e floresce o que há de mais verdadeiro dentro de nós. Que ela não seja um fardo, que também não seja esse mar de rosas e ilusões. Porque ser mãe dói, cansa, despedaça… Mas ser mãe é sorriso sem fim, alegrias desenhadas, abraços sinceros, plenitude. E é nessa dicotomia, é nessa antítese que vive a graça da maternidade.

 

Obrigada por tudo, mainha.