Como focar suas energias apenas no que é primordial pode ajudá-lo a viver mais plenamente e com mais significado em um mundo cada vez mais conturbado.

Sabem por que Bill Gates deixou a presidência de sua empresa capitalista para dirigir a entidade beneficente que criou? Porque isso o faz mais feliz, dá sentido à sua vida.

Em minha busca por esse sentido, me deparei com esta matéria na revista “Vida Simples” (Edição de fevereiro, 180) e isso só fortaleceu a minha crença de que atraímos aquilo que emanamos. O blog está com layout novo porque eu estou em uma nova fase, mais conectada comigo mesma e ainda em busca desse sentido da vida, daquilo que realmente é importante para mim. Se bem que acredito também que essa busca nunca termina, às vezes ela esquenta, outras vezes esfria… Somos metamorfoses ambulantes, como já cantava Raul. Mas existem coisas sem as quais a nossa vida perde a razão de ser, como por exemplo, meu amor pela escrita. Vamos voltar ao assunto…

Segundo o poeta e teórico Ferreira Gullar, a ambição desvairada pelo lucro, o ímpeto por juntar riquezas,a ideia de reunir bens e sempre querer mais… Qual o objetivo? Para quê verdadeiramente as pessoas querem tudo isso? Os excessos, quaisquer que sejam eles, acabam por nos distanciar do sentido da nossa vida.

Quando nos enchemos de coisas, também nos enchemos de problemas, afirma a antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mirian Goldenberg. Quanto mais coisas você tira da sua vida, mais percebe que não precisa colocá-las de volta: elas não te fazem falta. A sensação do ‘eu posso ter, mas não quero’ é libertadora a partir do momento que você se dá conta de que pode – e deve – escolher só o que tem sentido para você, afirma Mirian.

Vivemos hoje uma sensação de impotência na sociedade moderna. Somos imbuídos a ter mais, querer mais. E, quanto mais consomem, mais infelizes as pessoas ficam. Quanto mais se exibem, mais inúteis elas se sentem. Alguém se identificou com esse “estilo de vida”? Você já parou para pensar no que te faz fazer as coisas que você faz todos os dias? Para onde você está indo? Você sabe onde quer chegar? Realmente precisamos chegar em algum lugar? E quando chegar, como você vai se sentir? (Poderia fazer mais algumas dúzias de perguntas, mas vou parar por aqui, antes que você desista de ler o post inteiro!)

Quando você precisa se encher de coisas para encontrar satisfação, alegria e prazer, é necessário parar. Essa revisão de conceitos passa por um processo de disciplina o qual deve ser aplicado todos os dias.

Qual o significado que você tem dado à sua vida? O significado do que você faz, das suas relações amorosas, da sua introspecção… Qual o seu projeto de vida? Ouso dizer que este é o seu projeto mais importante. Já parou para pensar nisso? Ele está conectado à nossa vontade, ele é interior, só seu. Não veio de ninguém além de você.

Esta citação de Mirian foi como uma explosão na minha cabeça e no meu coração: “eu não quero fazer tudo, entender todas as áreas do meu trabalho, ver todas as séries do momento, encontrar um milhão de amigos. Eu quero entender o que tem significado na minha vida, me conectar o tempo todo com isso e nisso me concentrar. Eu me vi e me senti em suas palavras. Confirmei mais uma vez que não estou sozinha, há mais pessoas (muito mais) por aí vivendo essa busca (e o post também tem esse objetivo, encontrar mais pessoas que se identificam com tudo isso).

Nem sempre é fácil identificar o que tem significado na nossa existência. E mais, saber abdicar dos excessos para nos concentrarmos no estritamente primordial. Limitar nossas escolhas resulta em muitas renúncias. Nos dias de hoje agir assim requer mais que vontade: é preciso disciplina. Algo que o palestrante e consultor Greg McKeown chama de seguir “caminho do essencialista”. Ele cunhou o termo “essencialismo” para explicar o comportamento – cada vez mais comum – de pessoas em busca daquilo que é vital, importante, essencial para elas. Essas pessoas são aquelas que sabem identificar e focar em fazer somente o que é importante (eu estou em busca. E você?). Greg diz que a proposta de valor básica do essencialismo só surge quando nos permitimos parar de tentar fazer tudo e deixar de dizer sim para todos.

É necessário parar constantemente para se perguntar: estou investindo nas atividades certas?

Identificar o que é essencial para você é a chave para saber se está direcionando a sua jornada para algo que realmente lhe faça sentido. O caminho de um essencialista segue um propósito, não segue o fluxo. Em vez de escolher reativamente, ele distingue de maneira deliberada as poucas coisas vitais das muito triviais, elimina o que não é essencial e depois remove obstáculos para que o essencial tenha passagem livre.

Tudo isso implica em tomar decisões difíceis, por isso esse nem sempre é o caminho mais escolhido, visto que ele não é o mais fácil, nem o mais comum. Além de que existem muitas forças conspirando para nos impedir de aplicar a busca disciplinada por menos. Vivemos em uma sociedade capitalista onde o poder de consumo é comumente confundido com qualidade de vida e assim muitas pessoas sentem o que os psicólogos chamam de “fadiga decisória”, ocorre quando perdemos a capacidade de filtrar o que é importante e o que não é porque somos obrigados a fazer muitas escolhas no nosso cotidiano e quanto mais escolhas somos forçados a fazer, mais a qualidade das decisões se deteriora.

A cereja do bolo é o fato de vivermos hiperconectados, a capacidade de conexão aumentou a força da pressão social. A tecnologia nos aproximou ainda mais das opiniões alheias sobre o que deveríamos escolher, ser, refletindo diretamente na maneira como nos comportamos e como vivemos.

Ah, e tem mais! A ideia de que podemos fazer tudo é um fator estressante para aqueles que tentam encaixar mais atividades numa vida já sobrecarregada. E não para por aí, existem (muitos) pais que refletem esse acúmulo de atividades nos filhos (mas isso é assunto para outro post).

Qual é o ritmo ideal para um essencialista? Aprender a fazer menos, porém melhor para obter o máximo retorno possível do seu precioso tempo de vida.

Não precisamos esperar nossa aposentadoria para fazer isso, podemos começar de agora. Com pequenos passos, com um olhar mais atento para nossa rotina, para as pequenas coisas dos nossos dias e assim vamos evoluindo, um passo de cada vez, vivendo o momento, curtindo as pequenas, as médias e as grandes coisas. Porque, meus caros, o controle sobre nossas próprias escolhas essenciais nos leva a um novo nível de sucesso e significado. Nele, aproveitamos a viagem, e não apenas o destino, com a certeza de seguir o caminho certo em direção a nós mesmos.

Fica a pergunta: o que é essencial para você?

(Post com matéria da revista Vida Simples, edição 180. Alterado livremente por mim, mas conservando todo o teor do texto)