Da mesma maneira que o corpo é constituído pelo que comemos, a mente é composta pelas experiências que vivemos. O fluxo de experiências esculpe progressivamente o cérebro, moldando, portanto, a mente.

Alguns momentos, aqueles que acreditamos serem mais marcantes, são lembrados com mais clareza, como por exemplo onde estávamos no último Natal, qual roupa vestimos no nosso aniversário, etc.. No entanto, boa parte daquilo que forma a mente permanece inconsciente durante toda a vida. É o que Rick Manson e Richard Mendius denominaram de memória implícita (no livro O CÉREBRO DE BUDA), que inclui expectativas, padrões de relacionamentos, tendências emocionais, perspectivas gerais. Ou seja, a memória implícita define a configuração interna da mente, como alguém é de fato, baseado nos vestígios que são lentamente acumulados ao longo da nossa existência.

As nossas experiências durante toda a nossa vida podem ser classificadas em dois grupos: as que nos fizeram bem (positivas) e as que nos provocaram danos (negativas).

É preciso criar, preservar e reforçar as memórias implícitas boas e evitar, eliminar ou reduzir as prejudiciais.

Nosso cérebro busca, registra, armazena, recorda e reage preferencialmente às experiências negativas. Ou seja, mesmo quando as experiências boas superam as ruins em quantidade, as últimas naturalmente se desenvolvem mais rápido. Sendo assim, o sentimento e a consciência de quem somos de verdade pode se tornar imerecidamente sombrio e pessimista.

Somos muito melhores do que pensamos. Tendemos a ter uma visão pessimista sobre nós mesmos e sobre o mundo. E isso, pasmem, é normal. Nosso cérebro faz isso com a gente sem que a gente se dê conta. Antigamente, esta percepção pessimista tinha como propósito principal preservar a nossa vida. Isso mesmo, fazia parte do nosso “instinto de sobrevivência”. Mas nos dias de hoje isso não faz mais tanto sentido assim, concorda? Nós evoluímos, aprendemos outras (incontáveis) maneiras de vivermos (muito bem, aliás).

Antes de se perguntar como se livrar dessa maneira pessimista de ver o mundo, saiba que as experiências ruins têm seu lado bom: a perda abre o coração, o remorso dá um direcionamento moral, a ansiedade alerta para o perigo e a raiva enfatiza injustiças que devem ser retificadas. Ou seja, as dores e as experiências negativas sempre vão existir, o que pode mudar é o modo como você lida com elas. Porque não dá para ficar remoendo o passado, guardando dores e cultivando angústias dentro de você. Quer se libertar disso? O tratamento não é suprimir as experiências negativas; quando elas acontecem, acontecem e ponto. No lugar disso, é mais certeiro cultivar vivências positivas e, principalmente, assimilá-las e absorvê-las de modo que se tornem parte permanente de você.

Ok. Parece ser mais fácil do que se imagina. E realmente é. A parte mais difícil é tomar consciência de que podemos melhorar significativamente nossas vidas compreendendo como nossa mente funciona. Este aqui é só um dos milhares de enigmas do universo que existe dentro de cada um de nós, mas que já faz muita diferença se colocado em prática.

Agora que você leu este post, você já tem consciência de que pode viver seus problemas de uma maneira mais tranquila e até mesmo positiva e que pode fazer com que as suas vivências positivas sejam internalizadas mais fortes, para te fazer uma pessoa mais feliz e otimista.

Como interiorizar o que é bom? Como é que se faz isso, afinal?? No próximo post eu vou ensinar em 3 etapas como fazer isso. É fácil e o melhor, é uma delícia!

Beijos e até!

2 Comentários

  1. Texto muito bom!! Aprendi a agradecer, ao final do dia, por tudo o que aconteceu nele. As coisas boas e as ruins. E essa simples atitude tem me levado, progressivamente, a encarar melhor os problemas, os medos, as saudades…

    • Obrigada! São essas pequenas mudanças no nosso comportamento e na nossa maneira de ver o mundo que transformam a vida da gente e nos faz pessoas melhores e mais felizes. ;)***