É impressionante como meus filhos de nove meses (tenho um casal de gêmeos, Guilhermina e Joaquim, 9 meses e Benjamim, 5 anos) já sabem posicionar seus dedinhos nas telas dos celulares e tablets. Eles agem quase que instintivamente, parece até que já nasceram sabendo mexer nessas coisinhas. Benjamim não é nem um pouco diferente, desde a mesma idade já apresentava sinais de que sua geração e a tecnologia não andam de mãos dadas, elas andam grudadas, unha e carne, tipo inseparáveis.

Se nós, um pouco mais velhos (só um pouco? :P), já não sabemos viver sem tudo isso, imagina eles que desconhecem uma vida diferente? É como se pedissem pra gente viver sem energia elétrica e água encanada. Já pensou voltar a usar velas e penico?! Pois é, no mínimo muito difícil.

Bem, e quem disse que precisamos evitar que nossos filhos usem essas tecnologias todas? Na minha opinião, o caminho não é esse. Vou contar exatamente o que eu penso sobre isso tudo e como eu me comporto. Pode não funcionar para todo mundo, muito menos todos irão concordar comigo. Mas eu não estou aqui para nada além de expressar a minha humilde opinião de mãe de três.

Todos os avanços tecnológicos (aqui me refiro principalmente a smartphones, tablets e internet), como tudo na vida, trouxeram coisas boas e coisas não tão boas assim. Tudo acontece muito mais rápido, de maneira mais simples e prática. A internet trouxe uma certa democracia no quesito conhecimento e informação. Nossos filhos têm acesso a uma infinidade de conteúdos, entretenimento e maturidade zero para saber a hora de parar. Os joguinhos são tão legais, né? VICIANTES! E é bem aí onde, para mim, mora um dos perigos. Outro grande perigo é esse excesso de tudo na palma das mãos. As crianças estão se tornando imediatistas, querem tudo para anteontem, ansiosas e insaciáveis. Onde foram parar as brincadeiras de bola e os jogos de tabuleiro? Se eles se sentem assim hoje, que tipo de adultos eles serão? Já parou para pensar nisso??

Eu sim, o tempo todo, aliás. E a minha reflexão me fez escrever esse post. O que eu faço no meio de tudo isso? EQUILÍBRIO e COMUNICAÇÃO. Esses dois pontos resolvem muita coisa (muita mesmo) na minha vida e certamente na sua também.

Explico melhor: não dá para tirar isso das crianças, não dá para criá-las numa bolha. A tecnologia é um caminho sem volta, a infância delas não será como a nossa, bem como a nossa não foi como a dos nossos pais e assim sucessivamente… A chave para manter a paz em casa e a consciência tranquila na hora de dormir é saber dosar. Com Benjamim, desde bebê, eu apresentei e apresento alternativas de diversão e aprendizado, tais como: esportes (ele ama jogar bola), leitura (ele sempre me vê lendo e isso desperta o interesse dele também), jogos divertidos com cartas, dominó, tabuleiro, etc. e o principal de todos, o diálogo. Sempre conversamos muito e todas essas atividades ou fazemos juntos ou ele faz com o pai ou com os avós. Para ser mais divertido, sabe? E para mostrar para ele que existe muita diversão além-iPad. E isso tudo acontece sem ser uma obrigação e é aí que está a graça de tudo. Nos divertimos muito, fortalecemos nosso amor, nosso relacionamento e construímos lembranças incríveis!

É claro que ele usa bastante a internet. Me distraio por cinco minutos e ele está agarrado no meu celular, jogando, jogando e jogando. Mal pisca os olhos! Eu procedo assim, todos os joguinhos são baixados com minha prévia avaliação e autorização, ele tem a conta dele no Netflix (kids, claro) e eu estou sempre de olho na lista do que ele tem assistido e a quantidade de tempo que ele usa tudo isso varia muito, não existem regras rígidas, tudo vai de acordo com o contexto. Se estamos em um jantar, por exemplo, e não tem criança para ele brincar, deixo ele jogar e se distrair. Se estamos em casa, sempre dou a opção de canetinhas, joguinhos e também um pouco de iPad. Mas só um pouco. Ao invés de impor regras, dê opções legais para a criança, mude o foco dela, atraia sua atenção para outras coisas. Aqui tem funcionado. Não é perfeito, a birra se faz presente de vez em quando, mas estou bem satisfeita com o rumo de tudo.

Quanto aos bebês, desde já eles passam muito mais tempo explorando a casa, seus brinquedos (as caixas são sempre mais atraentes do que os brinquedos em si), engatinhando e descobrindo o mundo do que na frente da tevê ou de um tablet. E assim vamos vivendo.

E você, como faz aí na sua casa?

Beijos e até.